Friday, December 14, 2007

Danislau Também lança DVD do "o herói hesitante"!




Quem também prepara grande evento comemorativo hoje, no Goma, em Uberlândia, é Danilo Teixeira, mais conhecido como Danislau Tambem, vocalista do Porcas Borboletas, além de poeta e videomaker, que lançará na noite de hoje o DVD "o herói hesitante". Em entrevista à Imprensa EC, Danislau fala um pouco de sua nova empreitada e revela, entre um assunto e outro, quais projetos ele prepara para 2008.

+ Confira a entrevista abaixo:


Marielle Ramires @ espacocubo.blogger.com.br! diz: Conte-me um pouco da produção do DVD, conceito e metas...
Danilo diz: Esse DVD traz conteúdos de certa forma relacionados com 'O herói hesitante', livro de poemas que lancei em 2005. São três os elementos q o compõem: o videoclipe do livro, alguns poemas e a série transfers. Em comum a todos esses elementos, o fato de se materializarem com um ou outro aspecto do livro e se materializarem na tela, em forma de vídeo.


Marielle Ramires @ espacocubo.blogger.com.br! diz: Videoclipe? Como é isso?
Danilo diz: Sempre rolou uma curiosidade sobre o que aconteceria se 'o herói hesitante' baixasse no médium, digo, na mídia videográfica. Chamamos o santo, ele veio, logo logo tá no You Tube, o terreiro universal, pra todo mundo conferir. Em termos práticos, esse é um projeto da lei de incentivo daqui de Uberlândia (MG). Eu sempre vi no livro uma tendência, uma abertura, ao ícone, à imagem visual. Vi que aquela vibe, aquela verve, poderiam muito bem acontecer em vídeo. Algumas coisas do texto do videoclipe foram extraídas do Herói Hesitante. O Enzo Banzo, do Porcas Borboletas, musicou um dos poemas, e a canção também está no vídeo.


Marielle Ramires @ espacocubo.blogger.com.br! diz: É Ficção?
Danilo diz: Existe uma ponte, uma conexão, mesmo que meio vaga, e tentar identificar essa ponte pode ser uma coisa interessante para o espectador. É ficção, mas não é narrativo, está mais pra praia da videopoesia. Foi legal a produção porque ela partiu de um roteiro, mas o acaso também direcionou tudo. Com o roteiro em mãos, fomos eu, o Huds - batera do Dead Smurfs, e o Moita (guitarrista e vocalista do Porcas) para uma cidadezinha aqui perto de Uberlândia. Fizemos um programinha surreal lá, passeando, curtindo o visual, e eu fui filmando. As imagens todas são dessa tarde. E então foi assim: o acaso dirigido, o acaso dirigindo, meio paradoxal, acaso e roteiro atuando juntos, mas isso funcionou muito bem. Tem um poema do Pessoa no vídeo q diz: todo começo é involuntário/ deus é o agente.


Marielle Ramires @ espacocubo.blogger.com.br! diz: No mínino poético... O roteiro é seu?
Danilo diz: Sim, com o pitaco santo de vários amigos.


Marielle Ramires @ espacocubo.blogger.com.br! diz: Tenho visto algumas produções de eventos com "o herói hesitante", em saraus, agora lançamento de DVD.Você acha que essa é uma tendência dos "fazedores de cultura" da atualidade, mesmo no campo da literatura...? Inicio o raciocínio inclusive me pautando no exemplo do setor da música, com a versatilidade dos papéis que numa banda, por exemplo, os músicos vêm desempenhando...
Danilo diz: Eu não acredito de jeito nenhum em crachá para artista. Fulano de tal: guitarrista e vocalista. Cada um brinca com seus brinquedos, e publica o que achar conveniente publicar. Não, o contrário, o cara versátil é, como diz o Gil, um ex-crachado. O crachá pressupõe uma ordem, um cada-coisa-no-seu-lugar, oque acho totalmente careta.


Marielle Ramires @ espacocubo.blogger.com.br! diz: Então pra ti, “artista também é igual pedreiro?”
Danilo diz: Acho que cada artista é uma história por que se eu disser q artista tem que ser pedreiro, estaria dentro da filosofia do crachá. O artista é o cara que exercita o poder de liberdade, de mexer no que quiser, onde quiser cada pessoa define seu caminho, embora eu acredite que, dentro das novas lógicas do mercado, o artista teria mais desenvoltura se exercitasse a máxima versatilidade. O pedreiro é um cara que realiza, mas é isso, acho que o artista pedreiro pode construir mais.


Marielle Ramires @ espacocubo.blogger.com.br! diz: Como você acha que os artistas em geral lêem essa questão? A leitura sobre individualidade da forma como você colocou não acaba caindo meio que num lugar comum, quando o assunto é "fazedor da arte"?
Danilo diz: Acho que sim, isso é uma visão bem romântica do artista: um cara livre, individualizado. Acho que hoje todo mundo exerce seu artista, porque o computador, a internet, impõe sempre um jogo de signos. Se eu escrevo meu profile no orkut, estarei necessariamente fazendo literatura, se eu compilo alguns vídeos no meu blog, ou disco, estarei discotecando. O artista como um cara destacado, sei não, já caiu, me parece... tá tudo fácil, muito fácil fazer um disco em casa, muito fácil fazer um vídeo. A filosofia do ex-crachado, pensando melhor, se adapta mais a esse universo: do it yourself, todo mundo é artista o dvd do herói hesitante nasce desse processo, diletante. Acredito no diletantismo, acredito na picaretagem bem feita, meter a mão onde não foi chamado, ver no que dá...


Marielle Ramires @ espacocubo.blogger.com.br! diz: Mas como ser diletante e conciliar o ofício com sustentabilidade?
Danilo diz: Eis a questão, nos processos do artista, sem dúvida, o problema da sustentabilidade importa muito. Esse é um dado q acaba repercutindo da dimensão estética, o que não é necessariamente mau o tropicalismo, a arte pop, são expressões profundamente marcadas pelo mercado, então o barato é agir antropofagicamente: devorar o mercado, incorporá-lo, e fazer surgir dessa deglutição uma coisa interessante. Isso é o princípio da alquimia: pegar o metal vil e transformar em metal nobre. Acho muito instigante o desafio de sobreviver fazendo o q me interessa.


Marielle Ramires @ espacocubo.blogger.com.br! diz: Mas como fazer isso?
Danilo diz: A música pop é isso, veja. Cada profissional deve buscar seu próprio caminho. acho q o mais eficaz é simplesmente fazer o próprio barato, mergulhar fundo em si mesmo, mais q buscar uma solução-de-outro. são inúmeros os exemplos de artistas q estão numa boa de grana, fazendo o q sempre quiseram. vamo lá, três exemplos de gente milionária (em todos os sentidos): os Beastie Boys, os caras do Simpsons, o Marcelo D2...


Marielle Ramires @ espacocubo.blogger.com.br! diz: E Danilo nessa história, como se mantém?
Danilo diz: eu sou burguês, classe média, meu pai é funcionário do Banco do Brasil aposentado. Cresci numa boa, de grana. Agora estou casado, com um filho, tal. Não sobrevivo totalmente com as artes, já que sou bolsista da CAPES (mestrado em literatura na universidade federal de Uberlândia), então é dar uns pulos aqui, outros aqui, nunca me desviando do q quero fazer.


Marielle Ramires @ espacocubo.blogger.com.br! diz: Entendi então o porquê do diletante...
Danilo diz: Exato, também vem a calhar, nesse sentido, diletante por necessidade, também.


Marielle Ramires @ espacocubo.blogger.com.br! diz: Falando um pouco do Goma aí.. Qual a expectativa de vocês com a inauguração da casa de shows? Como isso casa com a proposta da Porcas?
Danilo diz: O Goma é o cume de um processo histórico de muitos anos, desenvolvido aqui em Uberlândia. É um centro que comporta uma casa de shows, uma loja de roupas e artesanatos e um café, e está bem no centro da cidade. Uberlândia é uma terra muito fértil, tem uma eletricidade no ar daqui, muita, mas muita gente boa, criativa, aqui sempre vigorou uma certa segmentação: os bichos grilo pra cá, os playboys pra lá etc e os bicho grilo, os artistas, sempre estiveram à margem, do lado de cá da avenida Rondon Pacheco, no centro, vigorando a cultura do cover, o modus vivendi burguês etc, o tal processo histórico foi justamente o embaralhamento dos segmentos, a Jambolada, o Porcas Borboletas, o pessoal da dança, do vídeo, de repente começou a ocupar os espaços do centro, das mídias, a confusão se instalou, começou a rolar o interesse dos músicos do centro pelo pessoal do cabelo grande.

Danilo diz: E o Goma hoje está no centro da cidade, a lista amiga para a inauguração com os Móveis coloniais de acaju, beirando os 400 nomes. O Jambolada com três mil pessoas por dia, tá uma coisa isso aqui, de arrepiar.


Marielle Ramires @ espacocubo.blogger.com.br!: E o Porcas nesse processo?
Danilo diz: O Porcas está bem no meio desse processo, porque a banda começou se querendo maldita, punk, maconheira. Era uma resposta à cultura cover ao modo de vida careta, etc. A banda começou modernista, no sentido de jogar lama no paletó do senhor cidadão, depois veio o interesse de se comunicar mais, de formatar melhor o som, de arrebatar. O porcas sempre teve uma ótima recepção pelo público e foi fundamental nesse processo de des-segmentação. Hoje quase não se vê mais em Uberlândia bandas fazendo cover safado, temos algumas bandas fazendo cover de responsa, não tenho nada contra, mas é evidente q a cultura musical da cidade mudou muito. Hoje o underground é mainstream, e tem muita gente, de todas as praias, envolvida, tudo em torno do Goma que é um espaço físico, o q é muito importante.


Marielle Ramires @ espacocubo.blogger.com.br! diz: E 2008? como será pra banda e pro poeta?
Danilo diz: As coisas estão indo muito bem, 2008 é um ano regido por ogum o deus das estradas, o Porcas acabou de captar recursos para gravar seu segundo disco. Já temos um repertório no qual confiamos bastante, já começamos o ano tocando no rec beat, em recife, as composições estão brotando, a energia interna da banda está forte, coesa. Então essa é a boa. Eu, enquanto poeta, continuarei postando para o blog do Porcas, narrando as loucas aventuras da banda pelo Brasil, e no meu blog pessoal, q tem me dado muito prazer (www.danislau.blogspot.com), eu sou um cara de um projeto de cada vez, portanto para 2008 as atenções estarão concentradas no disco. tentando dar uma forcinha ou outra para a cena, seja aqui no dão, seja nossa cena nacional. Acho q é mais por aí.


Marielle Ramires @ espacocubo.blogger.com.br! diz: e o dvd e o livro? Podem ser adquiridos como?
Danilo diz: O DVD e o livro podem ser adquiridos nos shows do Porcas, ou através do meu site www.danislautambem.com.br


Danilo diz: Estou partindo para uma segunda edição do livro, já q a primeira está quase esgotada, então vou tentar colocar tudo isso em alguma distribuidora, para as pessoas comprarem pela NET, com cartão de crédito.

1 Comments:

Blogger Ney Hugo said...

pois é, mas nem todo pedreiro consegue viabilizar a sua "diletância", na atual conjuntura do mercado (ainda!). caminhemos pra isso, enfim. e vale lembrar que nem todo pedreiro necessariamente usa crachá. Do caralho a entrevista! Parabéns mari e danilo. =)

8:18 AM  

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